Bento Moura Portugal

Bento Moura Portugal

Físico português, nascido em Moimenta da Serra em 1702 e morreu no forte da Junqueira, onde se encontrava encarcerado, em 1776.

Insigne físico era também fidalgo

cavaleiro da Casa Real, por alvará de 24-03-1750, e cavaleiro professo da Ordem de Cristo.

Estudou preparatórios na vila de Gouveia, com os padres da Companhia de Jesus.

Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra.

D. João V enviou-o com bolsa de estudos a diversos países europeus, especialmente à Hungria. Durante a sua ausência, que foi de oito anos, estiveram suspensas, por ordem do Rei todos os processos em que ele era advogado.

Quando regressou ao País, aplicou os seus conhecimentos na abertura dos pauis de Vila Nova de Magos, do Juncal e de Tresoito, em beneficio da agricultura do Ribatejo.

Entre os seus inúmeros trabalhos contam-se o processo de pesquisas do ouro ao longo dos rios; projectos de dique em Vila Velha de Ródão para evitar as inundações dos terrenos agrícolas marginais do Tejo e do Mondego; uma roda hidráulica para enxugar terras alagadas; o aperfeiçoamento do mecanismo das azenhas, entre outros.

Em 1760 foi preso e encerrado no forte de Junqueira, por ordem do Marques de Pombal que acreditava ser um conspirador contra o seu governo. Durante 16 anos de torturante reclusão, conseguiu achar maneira de empregar o papel pardo e o fumo da candeia, instrumentos com os quais redigiu escritos notáveis, um tratado de 28 cadernos, em que descrevia os seus inventos e investigações, acabando por enlouquecer. Os seus contemporâneos chamaram-lhe o Newton português.

Este notável cientista fora, antes de cair em desagrado, um dos homens em que Pombal confiara, outorgando-lhe a regência de cursos na Faculdade de Filosofia Natural, que criara na Unidade de Coimbra, profundamente reformada.

O seu labor foi apreciado tão altamente no estrangeiro que o cientista alemão Osterrieder escreveu textualmente: ... "depois do grande Newton em Inglaterra, só Bento de Moura em Portugal.!"